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Politica

A um mês da eleição, agenda dos presidenciáveis mistura custo de vida, protesto no TSE e disputa suspensa nas redes

Natalie Everwick
Natalie Everwick Publicado 03/09/2026
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8 Min de leitura
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Flávio Bolsonaro concentra atos no Rio Grande do Sul, Wilson Grassi anuncia maratona diária em frente ao Tribunal Superior Eleitoral e Lula segue sem agenda pública divulgada nesta quarta-feira (2)

Contents
Flávio Bolsonaro faz agenda extensa no Rio Grande do SulProtesto inusitado em frente ao TSEEntenda a decisão do TSEOutros candidatos também enfrentam restrições da Justiça EleitoralDemais candidatos concentram agenda em São Paulo e no RioLula sem agenda pública e corrida ainda indefinida

A reta final da campanha presidencial de 2026 ganhou contornos cada vez mais movimentados nesta primeira semana de setembro. Com o primeiro turno marcado para outubro, os candidatos intensificaram os atos de campanha pelo país nesta quarta-feira (2), concentrando esforços em temas como custo de vida, preço dos alimentos e agronegócio, enquanto o cenário jurídico eleitoral também produzia seus próprios capítulos, com mais um candidato tendo a campanha digital suspensa por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

Flávio Bolsonaro faz agenda extensa no Rio Grande do Sul

Entre os principais nomes da corrida presidencial, Flávio Bolsonaro, do PL, teve o dia mais movimentado nesta quarta-feira, com compromissos concentrados no Rio Grande do Sul. O candidato desembarcou em Porto Alegre pela manhã e seguiu para a cidade de Esteio, onde visitou a feira agropecuária Expointer e almoçou com lideranças do agronegócio gaúcho. À tarde, percorreu os pavilhões do evento e defendeu medidas voltadas à redução do preço dos alimentos, incluindo a ampliação do seguro rural e a promessa de maior previsibilidade financeira para produtores familiares. À noite, encerrou a agenda com um comício no Parque Moinhos de Vento, na capital gaúcha.

A escolha da Expointer como palco de campanha não é casual: o evento reúne boa parte das principais lideranças do agronegócio do Rio Grande do Sul, setor que segue sendo tratado como estratégico por praticamente todos os presidenciáveis, especialmente diante do peso que a agropecuária vem exercendo sobre o desempenho da economia brasileira neste ano.

Protesto inusitado em frente ao TSE

Um dos episódios mais chamativos da campanha veio de Wilson Grassi, candidato do Democrata, que iniciou um protesto pacífico em Brasília, no entorno da sede do Tribunal Superior Eleitoral, após ter a propaganda eleitoral digital suspensa por decisão do ministro Dias Toffoli. Segundo o candidato, a suspensão teria sido motivada por uma publicação feita em seu perfil pessoal, e não no canal oficial cadastrado junto à Corte, uma falha que, na avaliação dele, teria sido cometida por milhares de outros postulantes sem qualquer punição semelhante.

Como forma de protesto, Grassi anunciou que passará a correr uma maratona diária de 42 quilômetros ao redor da sede do tribunal até que a decisão seja revertida. O candidato afirma que sua campanha depende quase exclusivamente das redes sociais, sem uso relevante de recursos do fundo eleitoral, e que a suspensão comprometeria diretamente sua capacidade de se apresentar ao eleitorado nas semanas finais antes da votação.

Entenda a decisão do TSE

A suspensão da campanha digital de Wilson Grassi seguiu o mesmo padrão de uma decisão tomada dias antes contra outro presidenciável, Renan Santos, do partido Missão. Segundo o Tribunal, a chapa de Grassi informou oito perfis usados na campanha em plataformas digitais somente 17 dias após o pedido de registro de candidatura, prazo muito superior ao exigido pela legislação eleitoral, que determina a comunicação de novos perfis em até 24 horas, com liberação para veiculação de propaganda apenas 48 horas depois do registro na Justiça Eleitoral.

Na decisão, o ministro Dias Toffoli argumentou que a comunicação tardia de perfis de campanha configura desvio de finalidade, já que permite que contas sigam ativas e sendo recomendadas pelos algoritmos das redes sociais sem passar pelo controle e pela fiscalização prévia da Justiça Eleitoral. Além da suspensão da propaganda digital, a decisão bloqueou repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha à chapa, vetou o uso de recursos já recebidos e proibiu a participação do candidato em debates de rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. Segundo pesquisas divulgadas na mesma semana, Wilson Grassi aparece com desempenho irrelevante nas intenções de voto, oscilando entre zero e 0,1% nos principais institutos.

Outros candidatos também enfrentam restrições da Justiça Eleitoral

Wilson Grassi não é o único nome da disputa presidencial a esbarrar em decisões do TSE nesta reta final de campanha. Pablo Marçal, do PRTB, segue com a candidatura suspensa desde o fim de agosto, depois que o Tribunal atendeu a um pedido do Ministério Público Eleitoral questionando o cumprimento do prazo de filiação partidária exigido por lei. A decisão, tomada por unanimidade, impede o candidato de acessar recursos dos fundos Eleitoral e Partidário e de participar de debates enquanto a análise definitiva do registro de candidatura não for concluída.

Esse cenário de disputas jurídicas paralelas à campanha propriamente dita tem se tornado uma característica marcante da corrida presidencial de 2026, refletindo tanto o rigor crescente da fiscalização digital por parte da Justiça Eleitoral quanto a disputa acirrada entre candidaturas que buscam qualquer vantagem competitiva no ambiente das redes sociais.

Demais candidatos concentram agenda em São Paulo e no Rio

Enquanto isso, outros presidenciáveis mantiveram atividades mais tradicionais de campanha. Augusto Cury, do Avante, cumpriu agenda em São Paulo, com entrevistas on-line pela manhã, visita à Federação Israelita do Estado de São Paulo à tarde e participação em podcast à noite. Ronaldo Caiado, do PSD, também esteve na capital paulista, com entrevista em rádio, visita ao Mercado Municipal de Pinheiros e sabatina em programa de TV à noite. Romeu Zema, do Novo, se reuniu com motoristas de aplicativo pela manhã e participou de podcast à noite, também em São Paulo.

No Rio de Janeiro, candidatos de partidos menores concentraram atividades voltadas a públicos específicos, como visitas a hospitais universitários e atividades internas de militância. Já Rui Costa Pimenta, do PCO, dedicou o dia a reuniões com a coordenação de campanha e a direção do partido, em razão da repercussão das revelações envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master, tema que também tem atravessado o debate eleitoral nas últimas semanas.

Lula sem agenda pública e corrida ainda indefinida

Chamou atenção o fato de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, não ter agenda pública de campanha divulgada nesta quarta-feira, em um momento no qual pesquisas recentes indicam que o presidente segue à frente no primeiro turno, mas com uma vantagem cada vez mais estreita sobre Flávio Bolsonaro. Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram que a distância entre os dois principais nomes da disputa vem diminuindo de forma consistente nos últimos meses, o que reforça o caráter cada vez mais competitivo da eleição a pouco mais de um mês da votação.

Até o momento, Lula e Flávio Bolsonaro ainda não dividiram o mesmo palco em nenhum debate ou sabatina, uma lacuna que segue gerando expectativa entre analistas políticos e eleitores sobre um possível confronto direto entre os dois favoritos antes da votação de outubro.

Fontes:

  • https://www.divulgapetrolina.com/2026/09/presidenciaveis-fazem-campanha-eleitoral-pelo-pais/
  • https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/121821/toffoli-suspende-campanha-presidencial-de-wilson-grassi-do-democrata
  • https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/tse-impede-marcal-de-usar-fundo-eleitoral-e-fazer-campanha
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