O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram, em 16 de outubro de 2026, o resultado da segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil – Subvenção Econômica. Ao todo, 114 empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram selecionadas para receber apoio financeiro destinado ao desenvolvimento de projetos de inovação.
O volume de recursos não reembolsáveis previsto para essa etapa também foi ampliado. Inicialmente estimado em R$ 300 milhões, o montante passou para R$ 450 milhões. A mudança aumenta a capacidade de atendimento da chamada e reforça a intenção de levar investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação para áreas do país que historicamente concentram uma parcela menor da atividade tecnológica nacional.
Segundo a Finep, os projetos escolhidos estão distribuídos entre empresas localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A instituição divulgou o resultado em conjunto com o MCTI, que coordena políticas públicas federais voltadas à ciência, à tecnologia e à inovação.
O que muda com o aumento dos recursos
Na prática, a ampliação de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões eleva o alcance financeiro da segunda rodada. Como se trata de subvenção econômica, os valores são destinados a projetos sem a característica de um financiamento reembolsável tradicional. Isso reduz a pressão de devolução dos recursos e pode facilitar a execução de iniciativas que ainda envolvem riscos tecnológicos e incertezas de mercado.
Esse tipo de apoio é relevante porque projetos inovadores costumam exigir investimentos antes que um produto, processo ou serviço consiga gerar receita. Empresas precisam desenvolver soluções, testar aplicações e aprimorar tecnologias sem a garantia de retorno imediato. O financiamento público pode ajudar a dividir parte desse risco e aproximar a pesquisa realizada por empresas das necessidades concretas da atividade produtiva.
A chamada também tem um recorte territorial definido. Ao priorizar empresas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, a iniciativa procura fortalecer ecossistemas de inovação fora do eixo mais concentrado do país. O efeito esperado não se limita às companhias selecionadas: projetos apoiados podem ampliar a cooperação com universidades, institutos de ciência e tecnologia, fornecedores especializados e outros negócios de suas regiões.
Por que o recorte regional importa
A distribuição regional de recursos é um dos pontos centrais do anúncio. Empresas inovadoras não dependem apenas de capital para crescer. Elas também precisam encontrar profissionais qualificados, infraestrutura de pesquisa, redes de colaboração e canais para transformar conhecimento em soluções aplicáveis. Quando esses elementos estão menos disponíveis, o desenvolvimento tecnológico tende a enfrentar obstáculos adicionais.
Ao concentrar uma chamada pública em três regiões, MCTI e Finep sinalizam uma tentativa de ampliar a presença territorial das políticas de inovação. O apoio pode beneficiar empresas de diferentes portes e contribuir para que iniciativas locais avancem da fase de desenvolvimento para etapas de validação e inserção produtiva, conforme as características de cada projeto selecionado.
O anúncio, no entanto, não detalha na informação divulgada a distribuição dos R$ 450 milhões por estado, setor econômico ou área tecnológica. Também não foram apresentados, na pauta oficial consultada, os valores individuais destinados a cada uma das 114 empresas. Por isso, a dimensão do apoio deve ser compreendida, neste momento, a partir do total anunciado e do número de projetos selecionados.
Próximos passos para empresas e ecossistemas de inovação
Com a divulgação do resultado, a atenção passa para a execução dos projetos aprovados. A aplicação dos recursos deverá acompanhar as finalidades previstas na chamada Mais Inovação Brasil – Subvenção Econômica. Para as empresas, o desafio será converter o apoio em desenvolvimento tecnológico, resultados mensuráveis e soluções capazes de alcançar o mercado ou melhorar processos produtivos.
Para o poder público, o acompanhamento dos projetos será importante para avaliar os efeitos da política em cada região. Indicadores como avanço tecnológico, geração de parcerias e capacidade de transformar pesquisa em atividade econômica podem ajudar a medir se a subvenção cumpriu o objetivo de fortalecer a inovação empresarial.
A seleção de 114 empresas representa, assim, mais do que um novo desembolso federal. O resultado combina financiamento público, desenvolvimento tecnológico e uma estratégia de descentralização territorial. Ao elevar os recursos para R$ 450 milhões, a chamada amplia a oportunidade de empresas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste participarem de uma agenda nacional de inovação.

