Existem pessoas que alcançam os 80 anos caminhando com firmeza, cuidando da casa, mantendo amizades e encarando a vida com bom humor. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, destaca que esse fenômeno desperta curiosidade e inspira uma pergunta natural sobre o que essas pessoas têm em comum. Pesquisadores ao redor do mundo investigam regiões onde a longevidade saudável é mais frequente, e os achados convergem para padrões surpreendentemente simples.
Leia mais a seguir!
Existe mesmo um segredo por trás da longevidade?
A palavra segredo talvez seja enganosa, porque o que se observa nas pessoas mais longevas raramente envolve fórmulas mágicas. O que aparece com frequência é a soma de hábitos modestos sustentados por décadas. Movimento natural ao longo do dia, alimentação baseada em comida de verdade e uma relação tranquila com o tempo formam a espinha dorsal desse estilo de vida.
Chama atenção que muitas dessas pessoas não praticam exercícios formais em academias. Elas se movimentam porque cuidam de hortas, sobem ladeiras, caminham para visitar vizinhos. O movimento está integrado à rotina, e não isolado como obrigação. Conforme Yuri Silva Portela, essa naturalidade revela que vitalidade e cotidiano podem caminhar juntos sem grandes sacrifícios.
Que papel o propósito e os afetos desempenham?
Um dos achados mais consistentes diz respeito ao sentido de vida, destaca Yuri Silva Portela. Pessoas que mantêm um motivo para levantar pela manhã, seja cuidar de alguém, exercer um ofício ou cultivar uma fé, tendem a viver mais e melhor. Esse propósito funciona como um motor silencioso que organiza a rotina e protege contra o vazio que muitas vezes acompanha a velhice. Além disso, ter objetivos e responsabilidades favorece o engajamento com a vida, estimulando a saúde emocional e contribuindo para a manutenção da autonomia ao longo dos anos.

Os laços afetivos completam esse retrato. Comunidades em que os mais velhos permanecem integrados à vida familiar e social produzem envelhecimentos mais saudáveis. O pertencimento reduz o estresse, combate a solidão e oferece uma rede de apoio nos momentos difíceis. Viver cercado de gente querida talvez seja um dos remédios mais subestimados da medicina contemporânea. A convivência frequente também estimula a mente, fortalece a autoestima e ajuda a preservar a sensação de utilidade e conexão com o mundo ao redor, comenta Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria.
Como a saúde preventiva ajuda a chegar bem aos 80 anos?
Embora a genética exerça influência sobre a longevidade, os estudos mostram que grande parte da qualidade do envelhecimento está relacionada aos cuidados adotados ao longo da vida. Acompanhamento médico regular, controle de doenças crônicas, vacinação em dia e monitoramento de fatores de risco contribuem para reduzir complicações que poderiam comprometer a independência na velhice. Em outras palavras, envelhecer bem costuma ser resultado de uma construção contínua e não de um acontecimento repentino.
Outro aspecto importante, de acordo com o doutor Yuri Silva Portela, é a capacidade de identificar alterações precoces antes que elas se transformem em limitações significativas. Problemas relacionados à mobilidade, à cognição, à nutrição ou à saúde cardiovascular tendem a apresentar sinais discretos nas fases iniciais. Quando essas mudanças são percebidas e acompanhadas adequadamente, aumentam as possibilidades de intervenção e de preservação da qualidade de vida.
As pessoas que chegam aos 80 anos com autonomia e disposição frequentemente compartilham uma característica em comum: elas não esperam a doença aparecer para cuidar da saúde. A prevenção faz parte da rotina, assim como a manutenção dos vínculos sociais, da atividade física e dos hábitos saudáveis. Esse conjunto de atitudes cria condições para que a longevidade seja acompanhada de bem-estar, participação social e capacidade de aproveitar plenamente cada etapa da vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

