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Brasil

Inadimplência de empresas brasileiras bate recorde histórico e supera 9,1 milhões de CNPJs

Natalie Everwick
Natalie Everwick Publicado 19/08/2026
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10 Min de leitura
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Levantamento da Serasa Experian mostra que empresas negativadas acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas em junho de 2026. Micro e pequenos negócios representam a grande maioria dos CNPJs inadimplentes, enquanto juros elevados, crédito restrito e desaceleração da atividade pressionam o caixa das companhias.

Contents
Inadimplência empresarial continua avançandoMicro e pequenas empresas são as mais atingidasJuros e crédito pressionam caixa das empresasServiços concentram maior número de empresas negativadasSudeste concentra maior número de empresas inadimplentesCapital de giro vira um dos principais desafiosRecorde acende alerta para os próximos mesesFontes

A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde no Brasil. Dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian mostram que mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados em junho de 2026, o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2016. Juntas, essas empresas acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas, revelando uma pressão financeira que atinge principalmente os pequenos negócios e se espalha por diferentes setores da economia brasileira. Os dados foram divulgados pela Serasa Experian em 17 de agosto e ganharam repercussão nacional nesta semana. (Serasa Experian)

O levantamento mostra que o problema não está limitado apenas ao número de empresas com contas vencidas. Cada CNPJ inadimplente acumulava, em média, 7,3 contas em atraso, enquanto a dívida média chegava a R$ 25.508,96 por empresa. O valor médio de cada compromisso negativado, chamado de ticket médio, ficou em R$ 3.515,77. Esses números ajudam a dimensionar a dificuldade enfrentada por empresas que precisam administrar simultaneamente pagamentos a fornecedores, instituições financeiras, prestadores de serviços e outras despesas necessárias para manter suas operações. (Serasa Experian)

Inadimplência empresarial continua avançando

O recorde de junho faz parte de uma trajetória de crescimento observada ao longo de 2026. Em fevereiro, a Serasa Experian havia identificado mais de 8,8 milhões de empresas inadimplentes, com R$ 204,6 bilhões em dívidas negativadas. No mês seguinte, março, o número avançou para aproximadamente 8,9 milhões de CNPJs e o volume financeiro chegou a R$ 212,8 bilhões. Em abril, o país alcançou pela primeira vez a marca de 9 milhões de empresas negativadas, indicando que a deterioração financeira das companhias não ocorreu de maneira isolada em apenas um período. (Serasa Experian)

Em maio, o país continuava com cerca de 9 milhões de empresas negativadas e aproximadamente R$ 229,9 bilhões em dívidas. Já em junho, o número ultrapassou 9,1 milhões, enquanto o estoque financeiro alcançou R$ 232,9 bilhões. Segundo levantamento repercutido pela Gazeta do Povo, entre maio e junho houve crescimento de aproximadamente 1,1% no número de empresas inadimplentes e de 1,3% no valor acumulado das dívidas. A sequência mostra como o problema vem avançando mesmo diante das mudanças recentes nas condições monetárias do país. (Gazeta do Povo)

Micro e pequenas empresas são as mais atingidas

Os pequenos negócios aparecem como o grupo mais vulnerável dentro desse cenário. Segundo a Serasa Experian, cerca de 8,6 milhões dos CNPJs negativados em junho pertenciam ao grupo de micro e pequenas empresas. Essas companhias concentravam aproximadamente 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões. Cada pequeno negócio inadimplente acumulava, em média, 6,9 contas em atraso, enquanto a dívida média estava em torno de R$ 23,1 mil. (Let’s Money)

O peso das pequenas empresas é particularmente importante porque esses negócios normalmente possuem menos alternativas de financiamento e menor capacidade de absorver períodos prolongados de queda de receita. Quando despesas operacionais aumentam ou o crédito fica mais caro, empresas menores podem ter dificuldades para renegociar compromissos, financiar estoques e preservar capital de giro. A necessidade de escolher quais contas serão pagas primeiro pode iniciar um ciclo de atrasos que compromete fornecedores, crédito bancário e a própria capacidade de continuar operando.

Juros e crédito pressionam caixa das empresas

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relaciona o avanço da inadimplência a um ambiente financeiro que permanece restritivo. Apesar do início de um ciclo de redução da Selic, os juros continuam elevados em termos históricos, dificultando uma recuperação mais consistente do mercado de crédito. Paralelamente, sinais de desaceleração da atividade econômica podem reduzir o ritmo de geração de receita justamente quando muitas empresas ainda precisam reorganizar passivos acumulados anteriormente. (Serasa Experian)

Esse cenário também aparece em outros indicadores corporativos. Dados publicados nesta quarta-feira mostram que os pedidos de recuperação judicial aumentaram 66% na comparação entre o segundo trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026, chegando a 6.341 casos. Agronegócio, transportes, logística e varejo estão entre os segmentos pressionados, em um ambiente caracterizado por juros elevados e maior restrição de crédito. (Folha de S.Paulo)

Serviços concentram maior número de empresas negativadas

O setor de serviços responde pela maior parcela dos negócios inadimplentes. Em junho, 55,7% das empresas negativadas pertenciam ao segmento. O comércio apareceu na segunda posição, representando 32,2% do total, seguido pela indústria, com 8%, e pelo setor primário, com 0,9%. A distribuição é influenciada também pela própria composição da economia brasileira, na qual serviços e comércio concentram um grande número de empresas, especialmente pequenos empreendimentos. (Serasa Experian)

Quando o levantamento considera a origem das dívidas, serviços também aparecem na primeira posição, respondendo por 31,6% dos débitos. Bancos e cartões representam outros 19,5%, enquanto cooperativas correspondem a 8,4%. Utilities aparecem com 6,9%, e telefonia responde por 6%. Essa composição demonstra que uma parcela importante da inadimplência está relacionada às próprias necessidades de funcionamento das empresas, incluindo despesas e compromissos utilizados para sustentar a atividade cotidiana. (Let’s Money)

Sudeste concentra maior número de empresas inadimplentes

Regionalmente, o Sudeste concentra o maior contingente de empresas negativadas. São Paulo liderava o levantamento de junho com 3.126.658 CNPJs inadimplentes, número compatível com o tamanho da economia e da base empresarial paulista. Minas Gerais aparecia na sequência, com 907.558 empresas, enquanto o Rio de Janeiro contabilizava 874.385 CNPJs. Paraná, com 601.986 empresas, e Rio Grande do Sul, com 527.555, completavam o grupo dos estados com maior volume absoluto de negócios inadimplentes. (Diário do Comércio)

Em Minas Gerais, por exemplo, a quantidade de empresas inadimplentes cresceu 26,7% na comparação anual, passando de aproximadamente 716,2 mil em junho de 2025 para mais de 907,5 mil no mesmo mês deste ano. As empresas mineiras representavam quase 10% da dívida empresarial registrada nacionalmente, enquanto São Paulo concentrava mais de R$ 87 bilhões em débitos. (Diário do Comércio)

Capital de giro vira um dos principais desafios

A combinação entre juros elevados e receita mais fraca cria dificuldades principalmente para empresas dependentes de capital de giro. Esse recurso é utilizado para financiar despesas do cotidiano, como salários, fornecedores, estoque, aluguel e impostos enquanto os pagamentos dos clientes ainda não entraram no caixa. Quando o custo do dinheiro aumenta, recorrer a empréstimos ou outras linhas de financiamento para cobrir essas necessidades se torna mais caro.

Para pequenas empresas, o problema pode ser ainda mais intenso porque existe menor margem financeira para absorver imprevistos. Uma queda temporária nas vendas, atraso de clientes ou aumento inesperado dos custos pode comprometer rapidamente o fluxo de caixa. Quando isso acontece simultaneamente com taxas elevadas de financiamento, renegociar dívidas antigas ou contratar novos recursos deixa de ser uma solução simples e pode aumentar ainda mais as despesas financeiras.

Recorde acende alerta para os próximos meses

A evolução do indicador durante 2026 será importante para avaliar se o recorde registrado em junho representa um pico ou se a inadimplência continuará avançando. Uma melhora dependerá de fatores como trajetória dos juros, disponibilidade de crédito, crescimento da atividade econômica e capacidade das empresas de recuperar receitas e reorganizar suas dívidas. Como muitas companhias acumulam diversos compromissos vencidos simultaneamente, uma eventual redução dos juros não necessariamente produz efeitos imediatos sobre os indicadores de inadimplência.

O recorde de mais de 9,1 milhões de CNPJs negativados mostra, portanto, que uma parcela expressiva do setor empresarial brasileiro continua operando sob forte pressão financeira. O volume de R$ 232,9 bilhões em dívidas e a predominância das micro e pequenas empresas entre os inadimplentes reforçam o tamanho do desafio. Depois de sucessivos recordes durante o primeiro semestre, a capacidade das empresas de recuperar o fluxo de caixa e renegociar compromissos será um dos pontos importantes para acompanhar na economia brasileira durante a segunda metade de 2026. (Serasa Experian)

Fontes

Serasa Experian — Indicador de Inadimplência das Empresas
Gazeta do Povo — Inadimplência atinge 9,1 milhões de empresas
Diário do Comércio — dados regionais de inadimplência empresarial

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