A discussão sobre segurança pública no Brasil costuma se concentrar em equipamentos e efetividade, expõe o especialista de segurança, Ernesto Kenji Igarashi, mas especialistas defendem que a base da eficiência está na padronização do treinamento e na qualificação permanente das equipes. Em um cenário de operações cada vez mais complexas, a existência de protocolos claros e rotinas de avaliação contínua tem impacto direto na redução de falhas, na proteção dos agentes e na segurança da população.
Segundo Ernesto Kenji Igarashi, criador do grupo de armamento e tiro da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, a lógica do treinamento moderno está menos associada à repetição de procedimentos e mais à construção de uma cultura organizacional baseada em previsibilidade, controle e responsabilidade institucional.
Padronização como estratégia de redução de riscos
Em ambientes operacionais de alto estresse, decisões precisam ser tomadas em segundos. Nesses contextos, a padronização funciona como um mecanismo de proteção, pois reduz a margem de improvisação e aumenta a consistência das respostas institucionais. Protocolos bem definidos permitem que diferentes equipes atuem sob os mesmos referenciais técnicos e éticos, mesmo em cenários distintos.
Tal como expressa Ernesto Kenji Igarashi, a padronização não significa rigidez, mas alinhamento. Ele explica que procedimentos claros ajudam a estabelecer limites de atuação e a orientar a tomada de decisão dentro de parâmetros previamente testados e avaliados. Isso contribui para reduzir erros, melhorar a coordenação entre equipes e facilitar processos de auditoria e responsabilização, quando necessários.
Outro aspecto relevante é que a existência de protocolos facilita a incorporação de novas tecnologias e ferramentas, pois cria um ambiente mais estruturado para atualização de métodos e revisão periódica de práticas. Dessa forma, o treinamento deixa de ser um evento pontual e passa a integrar a rotina institucional.
Formação continuada e avaliação periódica de desempenho
Convém ainda mencionar que algo central na discussão é a formação continuada. Em setores de alta complexidade, a qualificação técnica não pode ser tratada como etapa inicial da carreira, mas como processo permanente. Mudanças legais, evolução tecnológica e novos padrões de governança exigem atualização constante dos profissionais envolvidos em atividades de segurança.
Programas estruturados de capacitação permitem não apenas aprimorar habilidades técnicas, mas também reforçar valores institucionais, como disciplina, responsabilidade e respeito a protocolos. A avaliação periódica de desempenho é parte essencial desse processo, pois oferece dados objetivos para identificar fragilidades e corrigir desvios antes que se transformem em problemas operacionais.

Essa lógica também favorece a padronização nacional de procedimentos, reduzindo assimetrias entre unidades e promovendo maior integração entre diferentes áreas de atuação, informa Ernesto Kenji Igarashi. Em termos institucionais, isso contribui para fortalecer a confiança interna e a credibilidade externa das corporações.
Cultura de segurança e responsabilidade institucional
Mais do que técnicas específicas, especialistas apontam que o principal diferencial está na consolidação de uma cultura de segurança. Esse conceito envolve não apenas cumprimento de regras, mas também compromisso coletivo com práticas que priorizam a proteção da vida, a legalidade e a transparência das ações.
Na avaliação de Ernesto Kenji Igarashi, especialista de segurança institucional, a cultura de segurança se constrói a partir de liderança técnica, processos bem definidos e mecanismos claros de responsabilização. Quando esses elementos estão presentes, a instituição passa a operar com maior previsibilidade, o que reduz conflitos internos e aumenta a eficiência das respostas em situações críticas.
Além disso, essa abordagem favorece a integração entre preparo técnico e preparo psicológico, reconhecendo que fatores emocionais influenciam diretamente a qualidade das decisões em campo. Assim, políticas de treinamento mais amplas tendem a incorporar também aspectos relacionados à gestão do estresse e à saúde mental dos profissionais.
Impactos para a política pública de segurança
Do ponto de vista institucional, a adoção de modelos estruturados de qualificação técnica tem reflexos diretos na formulação de políticas públicas. Programas de capacitação baseados em evidências, com métricas claras de desempenho, permitem maior racionalidade na alocação de recursos e melhor avaliação de resultados.
Esse tipo de abordagem também contribui para ampliar a transparência, uma vez que procedimentos documentados e avaliáveis facilitam o controle interno e externo das atividades. Tal como considera Ernesto Kenji Igarashi, esse é um passo importante para fortalecer a legitimidade das instituições de segurança diante da sociedade.
Nesse contexto, o treinamento deixa de ser apenas um requisito operacional e passa a ser parte da estratégia de governança do setor. A qualificação técnica, associada a processos de avaliação contínua, tende a produzir efeitos positivos tanto na eficiência das ações quanto na redução de riscos institucionais.
As condições para um futuro organizado
A discussão sobre segurança pública frequentemente se concentra em respostas imediatas a crises, mas especialistas defendem que os resultados mais consistentes surgem de investimentos estruturais em qualificação e padronização. Ao estabelecer protocolos claros, programas de formação continuada e mecanismos de avaliação, as instituições criam condições para respostas mais previsíveis, seguras e alinhadas às exigências legais e sociais.
Conforme resume Ernesto Kenji Igarashi, esse caminho é essencial para que operações de segurança sejam conduzidas com maior controle institucional e menor exposição a falhas. Em um setor no qual cada decisão tem impactos amplos, a profissionalização do treinamento se consolida como elemento estratégico da política pública de segurança.
Autor: Luanve Urimkoilslag

