Decisão abre caminho para tecnologia Direct-to-Device da Starlink, que promete conectar smartphones sem antena externa em áreas remotas.
Uma decisão da Agência Nacional de Telecomunicações pode transformar a forma como milhões de brasileiros acessam a internet, especialmente em regiões remotas do país. O Conselho Diretor da agência aprovou a destinação de faixas de frequência para a operação de serviços móveis via satélite, abrindo caminho para que empresas como a Starlink ofereçam conexão diretamente aos celulares. Na prática, a novidade permite que smartphones compatíveis se conectem a satélites sem precisar de antenas externas ou equipamentos adicionais, tecnologia até então restrita a projetos experimentais em poucos países do mundo. Para áreas rurais, de mineração e de difícil acesso, a mudança representa uma promessa concreta de conectividade onde hoje simplesmente não há sinal de telefonia móvel convencional. Terra Brasil Notícias
Como funciona a tecnologia aprovada pela Anatel
A tecnologia por trás da decisão é conhecida como Direct-to-Device, ou D2D, e representa um avanço significativo em relação aos modelos tradicionais de internet via satélite. O Conselho Diretor da Anatel aprovou a destinação de faixas de radiofrequência para serviços de comunicação direta entre satélites e celulares, abrindo caminho para que empresas como a Starlink, da SpaceX, ofereçam conectividade sem a necessidade de antena externa. Isso significa que o próprio satélite se comunica diretamente com o aparelho do usuário, dispensando qualquer kit especial de instalação. CompreRural
É importante destacar que a aprovação não representa a liberação imediata do serviço para os consumidores brasileiros. A decisão pode beneficiar empresas como a Starlink, mas o serviço ainda não foi liberado comercialmente, já que o que avançou foi apenas a estrutura regulatória necessária para viabilizar a tecnologia no país. Ainda são necessárias etapas técnicas adicionais e parcerias comerciais para que o serviço chegue de fato ao bolso do consumidor. Capixaba da Gema
Segundo publicações especializadas do setor de telecomunicações, a decisão foi aprovada pelo Conselho Diretor da Anatel em 2 de julho de 2026, dentro da atualização do Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências no Brasil, conhecido como PDFF. Esse plano é o instrumento regulatório que organiza como as diferentes faixas do espectro de radiofrequência podem ser utilizadas no território nacional. Capixaba da Gema
Para que o serviço realmente comece a funcionar, ainda existem etapas técnicas pendentes. A implementação depende de regras técnicas que devem ser definidas em até 90 dias, além de parcerias entre a Starlink e operadoras terrestres que já possuem autorização para o uso das faixas de frequência necessárias ao funcionamento do serviço. Consumidor Moderno
O contexto da conectividade no Brasil e o papel da Starlink
A aprovação da Anatel ganha ainda mais relevância quando se observa o cenário atual da cobertura de internet móvel no país. Em 2025, a cobertura da tecnologia 5G alcançou 63,61% do território brasileiro, superando a meta prevista pela Anatel para 2027, mas muitas regiões continuam sem acesso à internet móvel de alta velocidade, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso. É justamente nessas regiões que a tecnologia D2D promete fazer a maior diferença. Terra Brasil Notícias
A Starlink já tem presença consolidada no Brasil por meio do modelo tradicional de internet via satélite, que depende de antenas específicas instaladas pelo usuário. No Brasil, a empresa já soma aproximadamente 700 mil acessos, segundo dados da Anatel de março de 2026, com forte presença em setores como agronegócio, mineração e logística. A chegada da tecnologia direta ao celular representa um salto natural para uma base de usuários que já reconhece a marca no país. Terra Brasil Notícias
Em escala global, a empresa de Elon Musk também mantém posição de destaque no mercado de comunicação por satélite. Criada em 2019 como o serviço de internet via satélite da SpaceX, a Starlink expandiu rapidamente sua operação e hoje conta com mais de 10 mil satélites em órbita baixa, sendo responsável por cerca de 75% dos satélites manobráveis ativos ao redor da Terra. Terra Brasil Notícias
O interesse da companhia em expandir ainda mais sua atuação no país já havia sido sinalizado antes mesmo da aprovação regulatória. A Anatel abriu consulta pública sobre um pedido da própria Starlink para ampliar a autorização de uso de radiofrequências e viabilizar no país os serviços de comunicação direta entre satélites e smartphones, um movimento que mostra como a decisão recente é parte de um processo regulatório que já vinha sendo construído ao longo do primeiro semestre de 2026. Exame
O que muda para o usuário final
Apesar do avanço regulatório, quem espera usar o celular sem sinal de operadora nos próximos dias precisa ajustar as expectativas. A liberação comercial depende ainda da definição de regras técnicas específicas e de acordos formais entre a Starlink e as operadoras de telefonia móvel que atuam no Brasil, processo que costuma levar meses até se traduzir em um serviço disponível ao público em geral.
Ainda assim, o passo dado pela Anatel é considerado relevante pelo setor de telecomunicações, justamente por criar a base legal que faltava para viabilizar esse tipo de conexão no país. Aplicações de emergência, como comunicação em situações de desastres naturais ou em locais isolados sem qualquer infraestrutura de telefonia, estão entre os usos mais citados como prioritários assim que a tecnologia estiver plenamente operacional.
Para o consumidor comum, a expectativa é que a novidade se torne, num primeiro momento, um recurso voltado a situações específicas de emergência ou de ausência total de sinal, antes de eventualmente se tornar um serviço mais amplo. O ritmo dessa evolução, no entanto, dependerá tanto da regulamentação técnica complementar quanto da velocidade com que a Starlink e as operadoras brasileiras conseguirem fechar as parcerias necessárias para colocar a tecnologia em operação.

