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Globo Revista > Blog > Tecnologia > IBM conecta sistemas criogênicos modulares e avança na expansão dos computadores quânticos
Tecnologia

IBM conecta sistemas criogênicos modulares e avança na expansão dos computadores quânticos

Natalie Everwick
Natalie Everwick Publicado 19/08/2026
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10 Min de leitura
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Empresa conseguiu unir e resfriar dois módulos criogênicos em um único ambiente ultrafrio, passo considerado importante para criar máquinas capazes de conectar centenas de chips quânticos e avançar rumo à computação tolerante a falhas.

Contents
Por que os computadores quânticos precisam de temperaturas tão baixasDois módulos passam a funcionar como um único ambienteObjetivo é conectar centenas de chips quânticosComputação tolerante a falhas continua como objetivoIBM amplia investimentos em computação quânticaO que muda com a nova arquiteturaFontes

A IBM anunciou nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, um novo avanço em sua estratégia para construir computadores quânticos de grande escala. A companhia conseguiu conectar e resfriar dois módulos criogênicos dentro de um único ambiente, demonstrando uma arquitetura criada para crescer de maneira modular. A infraestrutura de refrigeração é uma parte essencial dos computadores quânticos baseados em qubits supercondutores, que precisam operar em temperaturas extremamente baixas para preservar suas propriedades quânticas e reduzir interferências que podem comprometer os cálculos. Segundo a empresa, a nova abordagem foi desenvolvida pensando em sistemas futuros capazes de abrigar e conectar centenas de chips quânticos. (IBM Newsroom)

O avanço não significa que a IBM já tenha colocado centenas de processadores quânticos para trabalhar simultaneamente dentro dessa estrutura. O que foi demonstrado agora é uma etapa fundamental da infraestrutura necessária para chegar a esse objetivo. À medida que os computadores quânticos aumentam de tamanho, simplesmente construir refrigeradores maiores deixa de ser uma solução prática. A estratégia modular permite adicionar capacidade progressivamente, criando um ambiente compartilhado no qual diferentes componentes poderão ser instalados, conectados, substituídos e atualizados conforme novas gerações de hardware forem desenvolvidas. (IBM)

Por que os computadores quânticos precisam de temperaturas tão baixas

Os computadores quânticos trabalham com qubits, unidades de informação que exploram fenômenos da mecânica quântica para realizar determinados tipos de cálculo. No caso da tecnologia supercondutora utilizada pela IBM, esses componentes precisam permanecer próximos do zero absoluto para funcionar adequadamente. Qualquer interferência externa — incluindo calor, vibração ou ruído eletromagnético — pode afetar o estado dos qubits e aumentar a quantidade de erros durante uma operação. É por isso que grandes equipamentos criogênicos são tão importantes quanto os próprios processadores para o desenvolvimento dessa tecnologia.

A dificuldade aumenta conforme cresce o número de componentes dentro de uma máquina. Um sistema quântico de grande escala precisa acomodar processadores, cabos, conexões e diferentes níveis de controle sem comprometer as temperaturas necessárias para manter os qubits funcionando. A IBM afirma que sua arquitetura modular amplia tanto o espaço disponível dentro das câmaras quanto a capacidade de cabeamento, duas características importantes para permitir que futuras gerações de computadores recebam mais processadores e conexões sem exigir a reconstrução completa da infraestrutura. (IBM)

Dois módulos passam a funcionar como um único ambiente

O principal resultado anunciado pela companhia foi a integração bem-sucedida de dois módulos criogênicos. Depois de conectados, os equipamentos foram resfriados como um ambiente único, demonstrando que diferentes unidades podem compartilhar a mesma infraestrutura ultrafria. O conceito é importante porque a IBM pretende abandonar gradualmente a lógica de que cada computador quântico precisa depender de uma única estrutura criogênica monolítica, adotando uma plataforma que possa crescer por meio da adição de novos módulos. (IBM Newsroom)

Esse modelo também pode facilitar atualizações futuras. Como a tecnologia quântica ainda evolui rapidamente, processadores e componentes desenvolvidos hoje podem ser substituídos por versões mais avançadas em poucos anos. Uma infraestrutura modular permite planejar essas mudanças com maior flexibilidade. Em vez de substituir toda a estrutura de refrigeração sempre que o hardware evoluir, novos componentes podem ser incorporados ao sistema existente, desde que respeitem os requisitos técnicos da arquitetura.

Objetivo é conectar centenas de chips quânticos

A importância desse avanço fica mais clara quando observada dentro da estratégia de longo prazo da IBM. Para construir computadores quânticos realmente grandes e tolerantes a falhas, não basta simplesmente produzir um único processador contendo um número cada vez maior de qubits. Existe um limite físico e de engenharia para o tamanho que esses chips podem atingir. Uma das alternativas é conectar diversos processadores menores e fazer com que trabalhem dentro de uma arquitetura integrada.

É justamente nesse cenário que a criogenia modular ganha importância. A IBM afirma que a nova infraestrutura foi concebida para evoluir até um sistema ultrafrio compartilhado capaz de conectar centenas de chips quânticos. Esses processadores precisariam trabalhar de maneira coordenada enquanto permanecem dentro das condições extremamente controladas necessárias para preservar seus estados quânticos. Se essa abordagem alcançar a escala planejada, ela poderá eliminar um dos grandes obstáculos físicos enfrentados atualmente na expansão das máquinas quânticas. (IBM Newsroom)

Computação tolerante a falhas continua como objetivo

Outro ponto central da estratégia é chegar à chamada computação quântica tolerante a falhas. Os computadores quânticos atuais ainda apresentam taxas de erro significativas porque os qubits são extremamente sensíveis às condições externas. Para executar cálculos longos e complexos de maneira confiável, pesquisadores trabalham no desenvolvimento de técnicas de correção de erros capazes de utilizar vários qubits físicos para formar unidades de informação mais estáveis, conhecidas como qubits lógicos.

Essa abordagem, porém, aumenta drasticamente a quantidade de hardware necessária. Um computador quântico tolerante a falhas pode exigir um número muito maior de qubits físicos do que as máquinas experimentais utilizadas atualmente. Consequentemente, também será necessário ampliar a infraestrutura de controle, refrigeração e comunicação entre processadores. A arquitetura criogênica apresentada agora procura resolver justamente uma parte desse problema de escala, criando espaço para que vários processadores possam coexistir dentro de uma estrutura expansível.

A companhia mantém como meta chegar à computação quântica tolerante a falhas em 2029. Em novembro de 2025, ao apresentar novos processadores e atualizações de seu roteiro tecnológico, a IBM reiterou esse objetivo e também afirmou que trabalhava para alcançar vantagem quântica até o final de 2026, conceito relacionado à realização de determinadas tarefas de forma superior às melhores abordagens exclusivamente clássicas disponíveis. (IBM Newsroom)

IBM amplia investimentos em computação quântica

O desenvolvimento da infraestrutura criogênica acontece em um momento de investimentos elevados da empresa no setor. Em junho de 2026, a IBM anunciou planos de investir mais de US$ 10 bilhões em computação quântica ao longo de cinco anos. Os recursos abrangem pesquisa e desenvolvimento, fabricação, aquisições e expansão do ecossistema da companhia, mostrando que a tecnologia passou a ocupar uma posição estratégica ainda maior nos planos de longo prazo da empresa. (IBM Newsroom)

A estratégia vai além da criação de processadores isolados. A IBM trabalha com o conceito de supercomputação centrada em quantum, no qual unidades de processamento quântico são integradas a CPUs, GPUs, redes e sistemas tradicionais de computação de alto desempenho. Em vez de imaginar que computadores quânticos substituirão completamente as máquinas atuais, a proposta é utilizar cada tipo de processador nas tarefas para as quais ele apresenta maior vantagem, formando ambientes híbridos capazes de enfrentar problemas científicos extremamente complexos. (IBM)

O que muda com a nova arquitetura

No curto prazo, o anúncio não significa que consumidores ou empresas terão imediatamente acesso a computadores quânticos muito mais poderosos. O avanço está relacionado principalmente à infraestrutura necessária para construir as próximas gerações dessas máquinas. Demonstrar que módulos criogênicos independentes podem ser conectados e operar como um único ambiente ultrafrio reduz uma das incertezas de engenharia relacionadas à expansão física dos sistemas.

No longo prazo, porém, a arquitetura poderá ser importante para transformar computadores quânticos experimentais em máquinas muito maiores. A possibilidade de adicionar módulos, aumentar a capacidade de cabeamento, ampliar o volume interno e incorporar novos processadores cria uma plataforma mais preparada para acompanhar a evolução acelerada do hardware. A modularidade também pode reduzir a necessidade de reconstruir completamente um sistema quando novas tecnologias forem introduzidas. (IBM)

O anúncio de 19 de agosto representa, portanto, menos uma corrida para estabelecer um novo recorde de qubits e mais uma tentativa de resolver a engenharia necessária para que futuros computadores quânticos consigam crescer de maneira sustentável. Para alcançar máquinas tolerantes a falhas e capazes de resolver problemas científicos de grande escala, será necessário combinar avanços em processadores, correção de erros, software, controle eletrônico e infraestrutura criogênica. A conexão dos primeiros módulos ultrafrios da IBM representa mais uma peça desse conjunto.

Fontes

IBM Newsroom — anúncio oficial de 19 de agosto de 2026

IBM Quantum — arquitetura criogênica modular

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