Um dos aspectos mais relevantes da técnica de subida no ciclismo é a escolha entre pedalar sentado ou em pé, tema que interessa a Rolando Bonaccorsi, executivo de operações e delivery em tecnologia e praticante de ciclismo de estrada. A decisão parece intuitiva e carrega consequências mensuráveis de consumo de oxigênio, de recrutamento muscular e de desgaste acumulado ao longo de uma subida mais longa.
A maioria dos ciclistas amadores escolhe a posição pela sensação do momento, sem perceber que alterna sempre nos mesmos pontos do percurso conhecido. Nesse sentido, entender o que muda em cada posição permite usar as duas de forma deliberada, economizando energia nos trechos em que ela faz diferença para o restante do pedal. A escolha deixa de ser automática e passa a ser uma decisão tática de cada trecho.
O que muda quando o ciclista levanta do selim?
Em pé, o ciclista passa a usar o peso do próprio corpo para ajudar na aplicação de força e recruta bem mais a musculatura das costas, dos braços e dos glúteos. A posição entrega mais força instantânea ao pedal e cobra em troca um consumo de oxigênio consideravelmente maior, porque o esforço para estabilizar o tronco e os braços também gasta energia útil.
Sentado, o movimento fica mais econômico e a frequência cardíaca tende a ficar alguns batimentos abaixo da mesma potência registrada no medidor de bordo. Nos termos definidos por Rolando Bonaccorsi, a posição sentada é a escolha padrão para sustentar esforço por muito tempo, enquanto ficar em pé funciona como recurso pontual de potência.
Quando cada posição rende mais
As rampas curtas e muito inclinadas favorecem o trabalho em pé, uma vez que a necessidade ali é de força imediata por um período relativamente breve de tempo. Os ataques, as saídas de curva fechada em subida e os trechos com inclinação acima do que a relação de marchas permite também pedem a saída do selim por alguns segundos, até o terreno voltar ao normal.
As subidas longas e de inclinação mais constante favorecem a posição sentada do início ao fim do trecho. O ganho vem da economia de oxigênio, e a mudança de posição a cada poucos minutos serve principalmente para aliviar a pressão no selim e variar o grupo muscular recrutado. Como considera Rolando Bonaccorsi, alternar a posição por conforto é bem diferente de alternar por estratégia de prova.
Cadência e marcha na subida
A relação de marchas disponível na bicicleta determina boa parte da escolha de posição. Com uma coroa pequena e um cassete adequado ao terreno da região, o ciclista mantém cadência confortável sentado em quase toda inclinação que encontra pelo caminho, e a necessidade de levantar aparece bem menos do que com uma transmissão mal dimensionada para o terreno.
Quem pedala com frequência em região montanhosa ganha bem mais com a revisão da transmissão do que com qualquer ajuste fino de técnica de pedalada. Conforme contextualiza Rolando Bonaccorsi, a escolha do equipamento define o repertório disponível ao ciclista, porque não existe técnica capaz de compensar uma marcha que falta na hora da subida mais dura.
Treinar as duas posições
Um treino específico resolve a limitação mais comum entre os ciclistas amadores, que é a incapacidade de sustentar a posição em pé por mais de um minuto seguido. As séries curtas fora do selim, com cadência controlada e tronco bem estável, desenvolvem a resistência dos grupos musculares menos usados durante a pedalada sentada do dia a dia. Duas séries por semana já mudam bastante a sensação depois de poucas semanas de trabalho.
Vale ensaiar também a transição entre as duas posições durante os treinos da semana. Em termos práticos, levantar e sentar sem perder ritmo nem desviar a linha exige prática repetida, principalmente em grupo, onde qualquer oscilação afeta diretamente quem vem atrás. Rolando Bonaccorsi diferencia o domínio da técnica isolada do uso tático dela dentro de uma subida real de prova.

