Com baixa confirmada do camisa 11, Ancelotti se prepara para decidir a liderança do Grupo C com Neymar voltando aos poucos após mais de 30 dias parado
A vitória do Brasil por 3 a 0 sobre o Haiti, na última sexta-feira (19), deveria ter sido só motivo de festa. Afinal, o resultado garantiu à equipe comandada por Carlo Ancelotti a liderança do Grupo C com uma rodada de antecedência na Copa do Mundo de 2026. Só que a alegria durou pouco. Ainda no primeiro tempo, Raphinha sentiu dores na coxa direita durante a jogada que originou o segundo gol brasileiro e precisou ser substituído. No dia seguinte, exames de imagem confirmaram lesão muscular na região posterior da coxa, e o camisa 11 entrou para a lista de desfalques que já preocupava a comissão técnica antes mesmo da estreia do torneio.
A notícia chega em um momento delicado para o torcedor brasileiro. Afinal, a expectativa também está voltada para a recuperação de Neymar, que vinha treinando com bola e deve aparecer entre os relacionados para o confronto decisivo contra a Escócia, nesta quarta-feira (24), em Miami. A dúvida que ronda a cabeça de quem acompanha a Seleção é simples: o Brasil consegue lidar com tantas baixas físicas e ainda assim buscar a liderança do grupo? E o que esperar do retorno de Neymar, fora dos campos há mais de um mês?
Raphinha lesionado: o que se sabe até agora
A Confederação Brasileira de Futebol confirmou, em nota oficial, que Raphinha passou por exame de imagem no sábado (20) e teve constatada uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita. O comunicado informou que o jogador seguirá protocolo de tratamento intensivo, acompanhado pela equipe médica da Seleção, mas não estabeleceu prazo para o retorno às atividades. Esse silêncio sobre a data de volta é o que mais preocupa a comissão técnica, já que o histórico recente do atacante não ajuda a criar otimismo.
Em março deste ano, durante a Data Fifa, Raphinha já havia sido substituído no amistoso contra a França justamente por dores musculares, e ficou pouco mais de um mês afastado dos gramados. Essa repetição do mesmo tipo de problema é o motivo pelo qual a comissão técnica trata o caso com cautela redobrada. Vale lembrar ainda que, segundo o regulamento da Fifa, não é possível convocar um substituto para jogadores de linha depois do início da competição. Ou seja, se Raphinha precisar ser cortado, Ancelotti ficará restrito aos nomes que já estão no grupo, como Rayan e Luiz Henrique, ambos cotados para herdar a vaga na ponta direita.
A ausência de Raphinha se soma a uma lista de desfalques que já incomodava o treinador italiano antes mesmo da Copa começar. Estêvão, titular durante toda a preparação, e Militão, que disputava posição tanto na zaga quanto na lateral, também ficaram fora da lista final por lesão. Rodrygo e Vanderson, outros dois nomes cotados, igualmente não resistiram aos problemas físicos. Diante desse cenário, a recuperação de cada atleta passou a ser acompanhada de perto pela torcida, que teme um efeito cascata sobre o desempenho da equipe na fase decisiva do torneio.
Neymar de volta aos poucos: o que muda no ataque
Enquanto o departamento médico cuida de Raphinha, os olhos da torcida também se voltam para Neymar. O camisa 10 sofreu uma lesão na panturrilha direita em maio, durante uma partida do Santos contra o Coritiba, e desde então vinha em processo gradual de retorno. Nas últimas semanas, ele intensificou os treinos com bola e a expectativa é de que seja, finalmente, relacionado para o duelo contra a Escócia, na última rodada da fase de grupos.
Apesar de figurar na lista de convocados, estar relacionado não significa, necessariamente, que Neymar tenha condições de atuar por muitos minutos. Como o atacante está há mais de 30 dias sem jogar uma partida oficial, a tendência apontada por integrantes da comissão técnica é de uma entrada gradual, talvez até como opção no banco de reservas, para não expor o jogador a um risco de nova lesão logo na sua volta. Essa dosagem cuidadosa é um desafio extra para Ancelotti, que já lida com a ausência de outras peças importantes do elenco.
A entrada de Neymar, quando acontecer, também pode representar uma mudança tática significativa. Sem atuar como ponta desde os tempos de Paris Saint-Germain, o camisa 10 hoje funciona mais como armador no Santos, com participação direta na construção das jogadas. Se Ancelotti decidir usá-lo dessa forma, o esquema com dois pontas, hoje ocupado por Matheus Cunha e Vinícius Júnior, precisaria ser repensado. É uma equação complexa, que só deve ser resolvida nos próprios minutos finais antes do apito inicial contra os escoceses.
O que está em jogo contra a Escócia
A Seleção Brasileira chega à última rodada do Grupo C com quatro pontos, na liderança, empatada com o Marrocos, mas em vantagem no saldo de gols. Um empate já garante a classificação ao mata-mata, mas a equipe de Ancelotti quer mais do que isso: a vitória sobre a Escócia pode assegurar não só a passagem de fase, como também a melhor posição possível na chave, o que costuma facilitar o caminho nas oitavas de final.
Para isso, o técnico italiano precisa acertar as peças que tem disponíveis. Rayan, revelado pelo Vasco da Gama e hoje no Bournemouth, ganhou minutos importantes contra o Haiti e mostrou boa participação ofensiva, mesmo started com certo nervosismo. Luiz Henrique, que se destacou no Lyon na última temporada com números expressivos de gols e assistências, também é cotado para herdar a vaga de Raphinha. A decisão final deve depender tanto da evolução física dos lesionados quanto do que cada substituto apresentar nos últimos treinos antes do confronto decisivo.
Independentemente de quem entre em campo, o duelo contra a Escócia em Miami promete ser um dos momentos mais aguardados da fase de grupos para o torcedor brasileiro. Entre a expectativa pela volta de Neymar e a preocupação com Raphinha, a Seleção mostra que, mesmo na liderança do grupo, o caminho até o título está longe de ser tranquilo. A confirmação da lista final de relacionados e o desempenho físico dos dois atacantes nos próximos dias devem ser determinantes para o que vem a seguir no Mundial.
Fontes consultadas: Lance!, Exame, O Tempo
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

