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Brasil

Operação Eredità mira aliança entre grupos brasileiros e italianos: como funcionava a rota de cocaína para a Europa

Natalie Everwick
Natalie Everwick Publicado 17/09/2026
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9 Min de leitura
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PF cumpre sete prisões preventivas e cinco buscas em investigação sobre uma estrutura transnacional ligada a mais de 4,6 toneladas de cocaína.

Contents
O que a Polícia Federal descobriu sobre a estrutura investigada?Por que a cooperação entre Brasil e Itália foi decisiva para a investigação?O que acontece agora com os investigados e por que o caso continua aberto?Fontes:

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, a Operação Eredità, nova etapa de uma investigação sobre uma estrutura criminosa transnacional suspeita de conectar integrantes de organizações criminosas brasileiras e italianas para transportar grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para a Europa. A ação prevê o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de sequestro de imóveis e bloqueio de bens, contas bancárias, aplicações financeiras e outros valores relacionados às pessoas físicas e jurídicas investigadas.

A dimensão da investigação vai além das ordens executadas nesta quinta-feira. Segundo a PF, o trabalho identificou vínculos da estrutura investigada com pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína. Os carregamentos tinham diferentes países europeus como destino, incluindo Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal. O caso também chama atenção pela continuidade das investigações durante vários anos e pela cooperação policial e judicial estabelecida entre Brasil e Itália. Mais do que uma operação isolada, a Eredità ajuda a mostrar como redes internacionais de narcotráfico podem combinar logística, conexões em diferentes países e estruturas financeiras destinadas a ocultar os recursos obtidos com o crime.

O que a Polícia Federal descobriu sobre a estrutura investigada?

A Operação Eredità surgiu do aprofundamento de fatos apurados anteriormente pelas operações Retis e Spiderweb. Segundo a Polícia Federal, essas investigações revelaram uma associação entre integrantes responsáveis por fornecer a logística necessária para a exportação de grandes carregamentos de cocaína. A ação desta quinta-feira também é um desdobramento das operações Samba e Mafiusi, deflagradas simultaneamente no Brasil e na Itália em dezembro de 2024.

A investigação relaciona a estrutura a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020. Somadas, elas ultrapassaram 4,6 toneladas de cocaína destinadas ao mercado europeu. Aproximadamente 2,2 toneladas desse volume estavam armazenadas no Brasil no período das prisões realizadas em 2019 e, segundo a PF, foram posteriormente movimentadas pela organização depois de sua reorganização.

A apuração não se limitou ao transporte da droga. A Polícia Federal afirma ter identificado uma estrutura financeira criada para movimentar, ocultar e dissimular grandes quantias provenientes do narcotráfico internacional. Essa frente é importante porque organizações dedicadas ao tráfico em larga escala precisam não apenas transportar entorpecentes, mas também encontrar mecanismos para movimentar os recursos obtidos e dificultar a identificação de sua origem pelas autoridades.

Por isso, a operação desta quinta não envolve somente prisões e buscas. A Justiça também autorizou medidas patrimoniais, incluindo sequestro de imóveis e bloqueio de bens e valores mantidos em contas bancárias e aplicações financeiras de investigados e empresas. Essas medidas procuram atingir a dimensão econômica da estrutura sob investigação, enquanto a apuração continua para determinar a responsabilidade individual de cada pessoa envolvida.

Por que a cooperação entre Brasil e Itália foi decisiva para a investigação?

A característica transnacional do caso exigiu uma investigação capaz de acompanhar acontecimentos em mais de um país. A Operação Eredità contou com o trabalho de uma Equipe Conjunta de Investigação (ECI) formada entre Brasil e Itália e ativa entre 2020 e 2025. Do lado brasileiro, participaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na Itália, a cooperação envolveu o Departamento Anticrime de Turim do Raggruppamento Operativo Speciale Carabinieri, conhecido como ROS Carabinieri, e o Ministério Público de Turim.

Esse tipo de cooperação permite que autoridades responsáveis por investigar diferentes partes de uma mesma estrutura criminosa compartilhem informações e coordenem medidas. No caso investigado, isso é especialmente relevante porque a cocaína sairia da América do Sul e teria como destino diferentes mercados europeus. A PF cita Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal entre os países associados aos carregamentos apreendidos no período analisado.

A atuação conjunta também ajuda a explicar por que o caso se desenvolveu ao longo de vários anos. As operações anteriores foram construindo diferentes partes da investigação até chegar à ação realizada em setembro de 2026. Retis e Spiderweb forneceram elementos sobre a logística, enquanto Samba e Mafiusi representaram uma fase ostensiva da cooperação entre as autoridades dos dois países em dezembro de 2024.

A dimensão internacional torna o rastreamento financeiro particularmente relevante. Recursos provenientes da venda de drogas podem atravessar empresas, contas e diferentes jurisdições, aumentando a complexidade das investigações. A PF afirma ter encontrado uma estrutura destinada justamente à movimentação e ocultação do dinheiro proveniente do tráfico. A investigação patrimonial, portanto, complementa a apuração sobre o transporte da cocaína e busca identificar como os recursos associados ao esquema circulavam.

O que acontece agora com os investigados e por que o caso continua aberto?

Os sete mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão representam medidas cautelares dentro de uma investigação em andamento. Eles não equivalem a condenações. Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, de acordo com a responsabilidade individual que for apurada, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros delitos eventualmente identificados durante o avanço das investigações.

A existência de medidas patrimoniais também indica que uma parte relevante das próximas etapas deverá envolver a análise financeira. O sequestro de imóveis e o bloqueio de contas, aplicações e outros bens podem preservar patrimônio enquanto as autoridades investigam sua origem e eventual ligação com atividades ilícitas. Caberá ao processo judicial determinar posteriormente quais medidas serão mantidas e quais responsabilidades poderão ser atribuídas a cada investigado.

Outro ponto importante é que a Operação Eredità não começou do zero. Ela faz parte de uma sequência de investigações iniciadas anos antes e desenvolvidas em parceria com autoridades italianas. Esse histórico mostra como investigações sobre crime organizado transnacional podem continuar mesmo depois de prisões ou apreensões expressivas, especialmente quando as autoridades suspeitam que estruturas logísticas e financeiras permanecem operando.

A quantidade de cocaína associada pela investigação à estrutura — mais de 4,6 toneladas em 11 apreensões entre 2019 e 2020 — ajuda a dimensionar o alcance do caso, mas não significa que todo esse volume tenha sido apreendido na operação realizada em 17 de setembro. Trata-se do conjunto de apreensões anteriores que, segundo a PF, apresentou vínculos com a rede investigada. Essa distinção é importante para compreender corretamente o estágio atual da investigação.

A Operação Eredità demonstra ainda que o combate ao narcotráfico internacional não termina necessariamente na apreensão da droga. Identificar fornecedores, operadores logísticos, movimentações financeiras e conexões internacionais é parte do esforço para atingir estruturas capazes de sobreviver à prisão de integrantes específicos. É justamente essa continuidade que torna a cooperação entre países relevante para investigações dessa dimensão.

Com a ação desta quinta-feira, a Polícia Federal procura interromper mais uma etapa da estrutura investigada e avançar sobre seu patrimônio e sua organização financeira. Os próximos desdobramentos dependerão da análise dos materiais apreendidos, das informações financeiras obtidas e das decisões judiciais relacionadas aos investigados. Até que o processo seja concluído, as acusações permanecem no campo investigativo e as responsabilidades individuais ainda precisarão ser estabelecidas judicialmente.

Fontes:

Polícia Federal — PF deflagra Operação Eredità contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Metrópoles — PF investiga estrutura ligada a mais de 4,6 toneladas de cocaína

Bem Paraná — Operação mira estrutura ligada ao tráfico internacional de cocaína

Mídia Sudoeste — Rede de tráfico entre Brasil e Itália é alvo da Polícia Federal

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